A FALSA PROPAGANDA DO AGRONEGÓCIO

“A gente ia pelas estradas, com a bacia do Araguaia de um lado e do outro a bacia do Xingu. O que é desses rios? Nós vimos dezenas de afluentes e neles não havia mais água!”, critica o educador e socioambientalista Jean-Pierre Lenoy, falecido em 2016. O agronegócio – que ainda compõe 21% do PIB brasileiro – esconde muito mais do que soja, cana ou pasto. Ministrado por indivíduos, políticos e corporações de grande poder financeiro, a propaganda sobressai à realidade. E a moda pega.

O Ministério da Saúde, em 2006, publicou uma pesquisa que nega a melhoria da qualidade de vida como fator relacionado ao avanço na distribuição de renda. 17% da população está nos limites da obesidade e 51% encontra-se sobrepeso. O declínio na saúde pública está, sem dúvidas, correlacionado ao lobby da indústria alimentícia, financiada, sobretudo, pelo agronegócio.

A propaganda de que o agronegócio é o responsável pelo crescimento do país – bem como a estabilização do PIB (Produto Interno Bruto) – não passa de uma farsa. A agricultura, por sua vez, ocupa 12% do PIB, uma estimativa relativamente baixa. Seu acoplamento à agroindústria é, portanto, feito às obscuras. A agroindústria, porém, não depende de área de cultivo (como dizem), mas de mercado consumidor. Em suma, o crescimento deste ramo (agroindústria exclusivamente) depende, majoritariamente, da distribuição de renda e, consequentemente, salário mínimo.

Justo seria se o salário mínimo fosse algo levado a sério. Há escravidão nas terras latifundiárias e, segundo dados do IBGE, apenas 350 mil trabalhadores assalariados para cada dois mil hectares de terra. Em contrapartida às pequenas propriedades, que geram 900 mil empregos nesta mesma área. A modernização do ramo expulsa trabalhadores e desemprega os sertanejos.

Sucesso para as indústrias cujos produtos são utilizados no campo: eles dizem. Na década de 1970 (auge da agroindústria), cerca de 65 mil tratores eram vendidos anualmente. Em 2004, já com tendências neoliberais, apenas 37 mil máquinas foram vendidas. Fadadas à falência, as empresas tiveram de vender outras 35 mil máquinas ao exterior.

E os problemas não param por aí. Uma pesquisa ministrada pela FAO (Estado das Florestas no Mundo) concluiu que a agronegócio foi responsável por 70% de todo o desmatamento nas terras latinas.

Após a década de 1990 e até o ano de 2004, o desmatamento na Amazônia foi um dos maiores – se não o maior – já visto no mundo. Em 1995, 30 mil km² de terra foram jogados fora. Em 2004 não foi diferente: cerca de 25 mil km² ao lixo. Neste meio tempo houve quedas e baixas neste número. Em 2008, por exemplo, desmatou-se quase 15 mil km² de terra. E o maior responsável por isto é o agronegócio. O principal motivo destes horrores é  a expansão da pastagem.

Denunciar isso é, porém, extremamente perigoso devido ao poder aquisitivo dos latifundiários e os cargos que ocupam. A bancada ruralista ocupa cerca de 41% dos parlamentares e são duros quanto ao posicionamento. Em 2016, 200 ativistas contra o agro foram mortos. 25% (49 indivíduos) destes perderam suas vidas no Brasil. A América Latina é o local onde se concentra a maior matança de ativistas no mundo. Ademais, apenas nos cinco primeiros meses de 2017, 185 indivíduos foram mortos por denunciar tudo isto. O pior de tudo é que estes assassinatos são estatísticas incertas: dados sobre isso são difíceis de serem conseguidos.

Um relatório da Global Witness concluiu que as estimativas elevam-se muito mais num número global. Além dos assassinatos, também existem agressões, abusos sexuais, sequestros, torturas e detenções. O que poucos sabem é que 40% destas vítimas são indígenas. Pior ainda é que cerca de 43 assassinatos são provenientes de forças estatais: a polícia e o exército.

O ramo em que mais se mata indivíduos é a mineração. O número de assassinatos ligados às companhias de madeira subiu de 15 para 23 em um ano.

A Global Witness pede, aos governantes dos países envolvidos, providências: diminuição do número de mortes, proteção aos ativistas e indígenas e, sobretudo, investigação dos crimes cometidos pelos ruralistas. Algo difícil de ser conseguido no Brasil, já que 40% dos parlamentares são pró-agronegócio.

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FONTES:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2016-06/brasil-lidera-ranking-de-mortes-de-ambientalistas-em-2015-diz-ong

http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/agronegocio_e_o_maior_responsavel_pelo_desmatamento_ilegal.html

http://www.inpe.br/noticias/noticia.php?Cod_Noticia=4344

https://redesuldenoticias.com.br/noticias/brasil-e-o-pais-que-mais-mata-ativistas/

https://resistir.info/brasil/agronegocio.html

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