A CULTURA ARMAMENTISTA ESTADUNIDENSE NECESSITA SER REPENSADA

gun control Sempre que analisamos a emblemática cultura inserida fortemente na sociedade estadunidense, indagamo-nos: deve haver um controle de armas mais severo nos EUA? Podemos afirmar, com precisão, que sim.

O recente massacre ocorrido na escola secundária Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, na Flórida, fez com que essa discussão voltasse à tona. O diferencial, todavia, foi que, dessa vez, o debate e a reflexão que propõem definir uma solução a esse impasse continuaram nitidamente ativos. Na maioria das vezes, em que ocorria algum massacre à mão armada em solo norte-americano, toda essa euforia e repercussão duravam poucos dias. Assim, elas não geravam qualquer resultado prático, que fosse capaz de realizar uma mudança efetiva na conjuntura armamentista. No entanto, após essa atrocidade ocorrida na Flórida, o movimento antiarmas nos Estados Unidos gerou uma consequência muito mais expressiva. A pressão do movimento sobre as autoridades e, em especial, sobre o lobby das armas causou um debate muito mais intenso que os anteriores, estando fortemente em pauta até os dias mais recentes.

Os inúmeros protestos realizados em todos os Estados Unidos repercutiram de forma tão relevante que empresas como a locadora de veículos Hertz, a seguradora MetLife e a companhia aérea Delta Airlines dissociaram-se da Associação Nacional do Rifle (NRA, em inglês). Uma semana posterior ao ataque na Flórida, a Casa Branca sentiu-se alvejada e manifestou uma declaração. Ainda que tenha sido inconsistente, com soluções genéricas ao impasse hodierno, tal fato fomentou claramente a esperança daqueles que lutam por uma sociedade norte-americana mais segura e protegida.

Muitos podem estranhar que um cerceamento maior na compra e venda de armas de fogo nos Estados Unidos diminua os índices de violência. Contudo, é válido ressaltar que um controle eficaz sobre tais trocas comerciais não as ilegalizará; mas sim, haverá critérios mais rígidos para definir se determinado cidadão está apto para comprar e portar um armamento. E definir se alguém é capacitado para portar algo do gênero é realizar uma avaliação crítica à luz dos estudos psicossociais, estipulando com convicção que aquele cidadão tem condições mentais saudáveis para saber lidar e ter uma arma de fogo em mãos. Não por acaso, na grande maioria das vezes em que massacres do gênero ocorreram em terras estadunidenses, os autores do crime tinham, sim, distúrbios mentais severos — que facilmente teriam sidos diagnosticados por um especialista.

Terem confiança e esperança de que essas reivindicações possam tornar-se verdadeiras em um futuro próximo faz com que se fomente, sem sombra de dúvidas, a vontade dos norte-americanos de irem à rua e de pressionar as autoridades. Infelizmente, temos que nos lembrar que tanto a maioria do Poder Legislativo norte-americano quanto o chefe do Executivo, Donald Trump, são republicanos. Partido esse que, historicamente, defendeu com veemência a liberdade de compra e venda de armas. Presidente esse que, no mês passado, propôs como solução a esse problema o armamento de alguns professores em todas as escolas do país. Ou seja, Trump sugeriu uma proposta nitidamente arcaica e obsoleta a fim de enfrentar a onda de violência contemporânea. Ora, creio que a própria História junto aos fenômenos geopolíticos comprovaram-nos: violência não se resolve com mais violência. Não à toa, os próprios estudantes  da escola Marjory Stoneman Douglas, sobreviventes desse último massacre, disseram estar fartos de uma rotina escolar em que todo momento simula e demonstra que ataques à mão armada podem ocorrer inesperadamente. Não há dúvidas que crianças e jovens terão, sim, algum tipo de abalo emocional que poderão carregar pelos resto de suas vidas consigo. E, francamente, somar a esses fatos o de presenciar, em todos os dias letivos, professores portando armas visivelmente perigosas, não trará uma sensação de paz e tranquilidade. Trará, em contrapartida, uma sensação ainda maior de receio e pavor de que possa ocorrer um confronto armado imensuravelmente perigoso. E, pasmem: em um ambiente dito escolar.

FONTES:

https://www.cartacapital.com.br/internacional/o-novo-rosto-do-movimento-antiarmas-nos-eua

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/paulkrugman/2018/02/a-forca-da-decencia-desperta.shtml?loggedpaywall#_=_?loggedpaywall

https://www.nytimes.com/2018/02/28/business/walmart-gun-age-increase.html

 

 

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